terça-feira, 22 de outubro de 2013

A Orquestra toca Rock!

Mais uma vez o rock and roll vai tomar conta do palco principal do Theatro José de Alencar (TJA). A Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho (Orcec) realiza no próximo dia 23 de outubro reapresentação do espetáculo Rock Concerts, onde executa ao vivo arranjos para música de câmara de canções consagradas por grandes músicos do rock.

A concepção artística de juntar o rock and roll à música erudita não é uma grande novidade: algumas iniciativas remontam a década de 1970.

Grande orquestras como a sinfônica de Londres, de Berlim e até a Brasileira já realizaram apresentações com um repertório "mais pesado". "Nós seguimos o caminho dos grandes", alega Arthur Barbosa, maestro da Orquestra.

Entretanto, isso não foi o suficiente para impedir a empolgação do público que lotou as 800 cadeiras do Theatro José de Alencar no último dia 29 de agosto, data da primeira apresentação do Rock Concerts, que chegou a cantar as letras das músicas em alguns momentos da apresentação.

Maestro Artur Barbosa, regente da Orquestra Eleazar de Carvalho 
FOTO: LUCAS DE MENEZES

Durante o espetáculo foram executadas em instrumentos de cordas - acompanhados de um baixo elétrico e uma bateria -, clássicos das bandas The Beatles, Metallica, Deep Purple, U2, Iron Maiden e Queen.

A apresentação não foi a primeira da Orcec, em 2013, a misturar música popular e de câmara. Regendo a orquestra desde início de 2012, o maestro Arthur Barbosa já realizou nesse período espetáculos despojados, aproximando a música erudita a ritmos como o tango e o Choro. "Essa mistura nos ajuda a cativar outros tipos de público", explica o maestro.

Apesar de repetir a bem sucedida apresentação, o maestro Arthur Barbosa ressalta que a intenção não é tornar a Orcec em um orquestra rock, mas democratizar o acesso à música de câmara. "Nós conseguimos trazer para o teatro algumas pessoas que nunca assistiram um concerto", comemora. O maestro ainda aproveitou para citar o músico Milton Nascimento: "É preciso ir aonde o povo está".

A nova apresentação será realizada em duas sessões, uma 18h e outra 20h, e na hora de adquirir o ingresso será cobrado o valor simbólico de R$ 5, que será doado ao Lar Torres de Melo, instituição fortalezense que dá auxílio psicológico e cuidados médicos a idosos. Outra característica da nova apresentação será a inclusão de instrumentos de sopro e de guitarra para dar mais peso às músicas.

O público teve participação ativa na hora de escolher as canções do espetáculo. A orquestra promoveu uma enquete perguntando quais bandas deveriam ser inclusas na apresentação. Os grupos System of a Down e Pink Floyd foram os grande vencedores. Músicas do rei Elvis Presley também estarão no Rock Concerts. "Tentamos honrar a enquete ao máximo, mas nem sempre dá para atender todos os pedidos", diz o maestro. "Conseguir os arranjos das músicas é muito complicado", ressalta. O maestro ainda promete uma surpresa no fim do espetáculo para homenagear um dos maiores nomes do rock brasileiro.

Repercussão

Com apenas uma sessão, a última edição do espetáculo Rock Concerts atraiu uma multidão que fez fila para conseguir entrar no TJA, entretanto, nem todos conseguiram. Apesar da frustração de muitos, a repercussão, principalmente nas redes sociais, foi sem precedentes, segundo afirmou o maestro. "Para a gente que é músico de orquestra, é muito bom ver a fila dando volta no quarteirão para assistir a apresentação. O público da música de câmara é limitado", diz.

Em maio, o concerto de música erudita com o violonista italizano Emanuele Baldini também lotou o TJA e incentivou a volta do músico em uma apresentação ao ar livre, marcada para acontecer no final de novembro na Concha Acústica da Universidade Federal do Ceará (UFC). Entre os projetos que serão executados pela Orcec ainda este ano está a ópera Carmem, do compositor francês Georges Bizet, que será realizada em dezembro no Centro de Eventos do Ceará (CEC).

Pop x erudito

Recentemente, além do espetáculo da Orcec, Fortaleza recebeu em seus palcos uma série de apresentações que colocam em cheque os limites entre a música erudita e a de raiz popular. Passou por aqui, em setembro, a Orquestra Ouro Preto, de Minas Gerais, com versões para o repertório da banda inglesa The Beatles. No início deste mês, o maestro carioca Mário Adnet, que segue uma linha crossover, misturando elementos das duas vertentes em suas composições e arranjos, arregimentou uma miniorquestra para interpretar canções de Tom Jobim, no concerto "Jobim Jazz."

Pelo país, há orquestras experimentais voltadas a novos repertórios em São Paulo, no Amazonas. Em meio a esse caldo pop-erudito, o Caderno 3 de hoje discute a natureza, as origens e os limites desse cruzamento.
Fonte: Diário do Nordeste

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