segunda-feira, 17 de março de 2014

Comédia Cearense apresenta: Cinderela

A primeira Cinderela conhecida data de um tempo muito recuado. Conta-se que havia uma mulher, no Egito, que tomava banho em uma lagoa e uma ave, por algum motivo, roubou uma de suas sandálias. Soltando a sandália a alguma distância, ela caiu no colo de um faraó, Miquerinos, o mesmo que levantou a terceira pirâmides que ainda hoje pode ser vista em Gisé.  Impressionado com o tamanho daquele pé e a forma da sandália, Miquerinos mandou seus homens em busca da dona daquela peça que tanto o encantou.  Assim, praticamente todo o Egito foi invadido pelos homens do faraó que, tal como a Cinderela de Charles Perrault, no futuro, e dos Irmãos Grimm, testaram a sandália nos pés de todas as mulheres que encontraram até que se depararam com aquela que tanto procuravam. Esta, certamente, foi a primeira Cinderela, ainda que digam que há uma outra na China e várias outras em outros lugares do planeta.

A Cinderela que será representada pela Comédia Cearense e terá início neste domingo, 16 de março, a partir das 17h (e continuará nos próximos domingos até maio) no Teatro Arena Aldeota, não será esta, do Egito, mas aquela outra, mais recente. Nela, Cinderela que, segundo a etimologia da palavra significa “cinza quente”, é filha de um fidalgo que tinha duas filhas com uma nova mulher depois da morte da primeira. Morto, por sua vez, Cinderela é deixada aos cuidados da madrasta que transformou a menina em empregada das filhas. Como vivia com o corpo sempre cheio de cinzas, ou borralhos (daí porque o outro nome de Gata Borralheira), por causa da limpeza da lareira, as duas filhas da madrasta, Anastásia e Grisela, deram o nome de “Cinderela” à sua meia-irmã.
A sorte de Cinderela, no entanto, mudou. Assim como aquela do Egito, a filha do fidalgo teve a felicidade de se casar com um príncipe. Para isso, porém, participou de uma festa para a qual a madrasta e suas filhas tentaram impedir que ela fosse, mas como não conseguiram, Cinderela foi. No meio da festa, enquanto dançava com o príncipe, foi alertada pelo relógio de que estava para dar a meia-noite. Como estava ali porque uma fada madrinha havia transformado uma abobora em carruagem e alguns ratinhos em cavalos, Cinderela foi embora, rapidamente, e deixou cair um de seus sapatinhos de cristal. Foi a sua salvação. Apaixonado por aquela mulher que o abandonara repentinamente em pleno salão, o príncipe quis saber quem era ela e, para isso, se serviu do sapatinho tal como os egípcios se serviram de uma sandália de papiro, certamente, para dar com a Cinderela do Egito. Com isso a história está montada e, com ela, a fascinação das crianças que não se cansam nunca de saber desta história a cada geração.
Comédia Cearense
Inaugurada em 1957, a Comédia Cearense, responsável pelo espetáculo, foi criada sob a coordenação do ator e dramaturgo Haroldo Serra. Ao longo de seus 56 anos de existência, produziu mais de 90 espetáculos e 158 montagens. Em 2002, para melhor deixar seu legado cultural no estado, fundou a Casa da Comédia Cearense formada por salas onde ocorrem oficinas, cursos e palestras, salas de ensaio, teatro e dança, sala de música, biblioteca teatral, videoteca, com mais de mil títulos e teatro jardim, com capacidade para 200 espectadores. Dentre as peças que encenou estão “O Morro do Ouro” de Eduardo Campos, “Demônio Familiar”, de José de Alencar, e “O Casamento de Peraldiana” de Carlos Câmara.
Adaptada por Hiroldo Serra, a Cinderela, que começa neste domingo e prossegue nos demais até maio, é dirigida por Haroldo Serra. Figurino de Hiramisa Serra. Coreografia e maquiagem de Javier Medrano. Operação de luz e som com John Ewerton. Arranjos musicais e gravação com Carlinhos Crisóstomo e camareira com Ozana Tavares.
SERVIÇO
• Espetáculo: Cinderela. Grupo: Comédia Cearense. Dia: 16 (começa neste domingo e continua nos outros até maio). Hora: 17h00. Local: Teatro Arena Aldeota (Rua Silva Paulet c/ João Carvalho). Ingresso: R$ 15, meia, e R$ 30, inteira. Livre.
Fonte: Jornal O Estado, Natalício Barroso

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